CARTA ABERTA AOS FAZEDORES DE CULTURA E À SOCIEDADE.

Escrevo esta carta movido por profunda preocupação e indignação diante da atual gestão cultural de nossa cidade. Após um ano de administração, o que se observa é a ausência de planejamento, de projetos estruturantes, de editais, de incentivos e de políticas públicas claras para o setor.

 A cultura parece estar à deriva.

Entre os dias 12 e 14 de janeiro, tentei reiteradas vezes entrar em contato com a suposta administração do Teatro Municipal para solicitar pauta. Não obtive retorno. Diante disso, procurei a Secretaria de Cultura, que informou que não estava realizando marcações, pois o teatro entraria em reforma — sem, contudo, apresentar qualquer previsão oficial.

No mês de fevereiro, retomei o contato e recebi a mesma resposta: não havia previsão de reabertura; fui informado de que, quando o ar-condicionado chegasse, haveria um posicionamento.

No entanto, causa estranheza o fato de existir um espetáculo anunciado para o dia 25 de abril no Teatro Municipal de Ilhéus, com divulgação ativa nas redes sociais e vendas abertas ao público. Ao questionar novamente a Secretaria de Cultura, fui informado de que o material de divulgação teria sido produzido antes do fechamento do teatro.

Ainda assim, o evento segue sendo promovido e comercializado normalmente. Trata-se de uma produtora séria e respeitada  da cidade, que certamente não investiria recursos em publicidade e abertura de vendas sem um acordo formal para a realização do espetáculo no teatro municipal de Ilhéus. 

Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis: o Teatro Municipal passará a atender apenas a um grupo específico? Há critérios transparentes para a utilização do espaço público? Alguns terão acesso privilegiado enquanto outros permanecem sem resposta?

A cultura exige gestão responsável, planejamento e, acima de tudo, respeito aos profissionais que movem este setor. Nós, produtores e artistas, não recebemos salários públicos para permanecer inativos. Precisamos trabalhar — e, para isso, precisamos de acesso democrático aos equipamentos culturais da cidade.

Há mais de 16 anos produzimos grandes espetáculos no interior da Bahia, incluindo artistas renomados e montagens premiadas( talvez a única a prover esses megas espetáculos no interior da Bahia) Foram mais de 100 produções realizadas nesse período. Quem atua na área sabe o quanto é desafiador levar cultura de qualidade ao interior. Sempre fizemos isso com compromisso e profissionalismo.

É impossível não lembrar de períodos em que a gestão cultural era capaz de liderar, dialogar e promover uma agenda consistente de grandes espetáculos no Teatro Municipal.

Esta carta não é um ataque pessoal, mas um chamado à responsabilidade, à transparência e ao respeito com os fazedores de cultura da nossa cidade.

A cultura não pode ser conduzida com improviso, silêncio ou privilégios. Ela precisa de gestão, diálogo e compromisso público e principalmente capacidade.

Fica aqui registrada minha indignação — e, sobretudo, minha cobrança por uma política cultural séria, democrática e profissional.

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